ARTIGO: NOITES DE CABRITA

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MÁRCIA CABRITA COMO NEIDE APARECIDA

RIO DE JANEIRO – O ano é o longínquo 1992. Eu era (e continuo sendo) fã da Tônia Carrero. Fui assistir no Theatro São Pedro, em Porto Alegre, As Atrizes, peça que Juca de Oliveira escreveu especialmente para a diva. Além de ficar  encantado com a grande estrela, havia no elenco uma jovem atriz que me fez rir muito no espetáculo. Tratava-se de Márcia Cabrita representando uma hilária repórter burra. Desde aquele momento, comecei a tentar ver tudo que a tivesse no elenco. Em 1995, gargalhei com seu primeiro monólogo Noites de Cabrita, que reunia esquetes de Luis Fernando Verissimo, Aloisio de Abreu e Licia Manzo, Luiz Carlos Góes e Bráulio Tavares, sob a direção de Bibi Ferreira.

 

Dois anos depois, Márcia chegou ao coração do grande público interpretando a Neide Aparecida do Sai de Baixo, programa que entrou no imaginário da cultura popular brasileira. Basta ver que o Canal Viva exibe ininterruptamente o programa e, agora, a Rede Globo também o incluiu entre suas atrações reprisadas.

 

Voltei a vê-la no teatro fazendo a mulher compulsiva por limpeza de Toc Toc, fantástica comédia de Laurent Baffie e um dos maiores sucessos do teatro brasileiro nos últimos anos. Em 2010, já debilitada pela doença que lhe matou, a assisti em Tango, Bolero e Cha Cha Cha, que marcou seu reencontro com a direção de Bibi Ferreira.

 

E foi, justamente, para tentar driblar o baque causado por seu câncer, que seus amigos Aloisio de Abreu, Stella Miranda e Luis Salém resolveram remontar o clássico Subversões, a primeira encenação a dar projeção para Cabrita. Em 2011, surgiu Subversões 21, espetáculo comemorativo da estreia deste clássico da comédia brasileira, cujas canções paródicas como Meu nome é Creuza e Um Gay Cantando Longe, tornaram-se inesquecíveis para toda uma geração na qual me incluo.

 

Márcia morreu na semana passada. Chegou a manter um blog no qual tratava com um humor agridoce sua doença, chamado Força na Peruca. E ela foi uma mulher de grande força. Atuou em teatro, televisão e cinema sem parar nos últimos anos. Merece meus maiores e melhores aplausos.

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