ARTIGO: SESC CAMPO LIMPO ABRE ESPAÇO PARA TEATRO E MOSTRA QUE É PRECISO DESCENTRALIZAR

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SÃO PAULO –Desde o dia 9 de novembro,  No SESC Campo Limpo, uma unidade provisória, uma tenda de dar inveja em muito teatro foi montada para receber Preto. Dirigido por Marcio Abreu e o forte elenco composto por Cássia Damasceno, Felipe Soares, Grace Passô, Nadja Naira, Renata Sorrah e Rodrigo Bolzan, o espetáculo ensina muito ao dar protagonismo para a periferia além do palco, da temática.  

O teatro no cerne busca, entre tantas ideias, discutir a sociedade, trazer os debates que pairam nos jornais e meios. A igualdade é um desses temas e a Cia Brasileira e o SESC levam  uma montagem, que aliás, mistura personagens e perfils sociais para onde as pessoas que lutam por isso, ou precisam se conscientizar residem.

Ou vamos continuar falando dos mesmos para os mesmos? Se uma das críticas feitas ao teatro atual é esse vômito de dramaturgos e diretores sobre eles mesmos no palco, para o mesmo público de sempre. Taí: o SESC democratiza a arte, a Companhia Brasileira coloca a cara para um público que precisa desse serviço social que é o palco do teatro, de trazer nossas vidas para a ficção, ou nem tanto.

Preto mesmo faz um trabalho mais interessante do que o militante propriamente. Dividido em quadros, com um trabalho que mapeia diversas faces da igualdade: da cor, ao amor, do estilo ao nu e por aí vai.

O SESC Campo Limpo é uma unidade temporária. Para o teatro, portanto, fizeram uma tenda que surpreende quem entra. Ar condicionado, bom placo, refletores e uma estrutura cuidadosa.  Aprova de que teatro se faz em qualquer parte, qualquer descampado. O que segura é a arte ali dentro.

Preto, inclusive, é fruto  do desdobramento da pesquisa de Projeto Brasil,  feito em diversos lugares e com residências artísticas desde 2015. Nada mais justo do que falar e dar voz à periferia. Um convite a tanto de nós que inflamamos o discurso da igualdade no papel e nos palcos do centro, com poucos negros, pobres, e representantes desse debate, que podem fazer a sociedade um lugar melhor.

A Cia brasileira, joga-se ao público, que está na cena. Os quadros tratam de tema e em algum é possível se ver ou se questionar como ser social. A Cia usa e abusa dos talentos que têm. Usa a Global para falar de imagem e Grace claramente assume o protagonismo do processo, como negra que é.

Ao ocupar o SESC Campo Limpo, criar um teatro onde antes não existia, a Cia Brasileira com o SESC nos ensina o que é incluir na prática. A todos nós ativistas da Paulista, da Vila Madalena. Levemos o teatro por essa cidade enorme. Levemos mensagens para as comunidades, elas merecem teatro na porta.

Veja trecho do espetáculo

“Tá vendo? Eu não sei falar sobre mim. Falar sobre mim pode ser pouco. Ou não, né? Mas sei falar sobre o que me atravessa, e me atravessa aquela garota erguendo a carteira da escola no meio da rua. Aquela mulher esbravejando com o policial. Aquela palestra, quando ela falou que eles calculavam qual seria o melhor dia para fugir. O vídeo da mulher sendo arrastada. O clipe. Beyoncé  fez eu me sentir com poder. A liberdade não tem nome e o nome dele é Rafael, nome de um primo meu. A série. Aquilo coloca a nossa forma de viver na linguagem de mercado. E ganharam um Oscar. Eu tenho raiva daquilo. Mas me interessa furar a tortura simbólica das imagens que não deixa a nossa imagem viver plenamente, com amor, com beleza, com dinheiro. E digo mais: para que servem nossas respostas que falam sobre nós. A quem? Quem são os corpos que ouvem isso? Essas palavras fazem agir? Amanhã o teu cabelo vai gritar alguma coisa? Teus braços, teus pés e mãos? Quem vai abrir mão para dividir? E nós? Vamos ter fôlego para plantar em cada comunidade, em cada reunião, alguma ação?”

FICHA TECNICA

Direção: Marcio Abreu

Elenco: Cássia Damasceno, Felipe Soares, Grace Passô, Nadja Naira, Renata Sorrah e Rodrigo Bolzan

Músico: Felipe Storino

Dramaturgia: Marcio Abreu, Grace Passô e Nadja Naira

Iluminação: Nadja Naira

Cenografia: Marcelo Alvarenga

Trilha e efeitos sonoros: Felipe Storino

Direção de Produção: José Maria | NIA Teatro

Direção de Movimento: Marcia Rubin

Vídeos: Batman Zavarese e Bruna Lessa

Figurino: Ticiana Passos

Assistência de Direção: Nadja Naira

Orientação de texto e consultoria vocal: Babaya

Consultoria Musical: Ernani Maletta

Adereços | Esculturas: Bruno Dante

Colaboração artística: Aline Villa Real e Leda Maria Martins

Assistência de Iluminação e Operador de Luz: Henrique Linhares

Assistência de Produção e Contrarregragem: Eloy Machado

Operador de Vídeo: Bruna Lessa e Bruno Carneiro

Assistência de Produção: Caroll Teixeira

Participação Artística na Residência realizada em Dresden: Danilo Grangheia, Daniel Schauf e Simon Möllendorf

Projeto Gráfico: Fabio Arruda e Rodrigo Bleque  | Cubículo

Fotos: Nana Moraes

Assessoria de Imprensa: Márcia Marques, Kelly Santos e Daniele Valério | Canal Aberto

 

Patrocínio: Petrobras e Governo Federal

Produção: companhia brasileira de teatro

Co-produção: HELLERAU – European Center for the Arts Dresden, Künstlerhaus Mousonturm Frankfurt am Main, Théâtre de Choisy-le-Roi – Scène conventionnée pour la diversité linguistique

Realização: Sesc São Paulo

 

companhia brasileira de teatro

Direção de Produção: Giovana Soar

Administrativo e Financeiro: Cássia Damasceno

Assistente Administrativo: Helen Kalinski

 

Serviço

PRETO

De 09 de novembro a 17 de dezembro de 2017

De quinta a sábado, 20h e domingos, 18h.

Não haverá apresentações nos feriados dos dias 15 e 20 de novembro.

Nos dias 2, 3 e 4 de novembro, haverá ensaios abertos ao público, gratuitamente.  No dia 2, às 18h e 3 e 4, às 20h.

SESC CAMPO LIMPO

  1. Nossa Sra. do Bom Conselho, 120 – Santo Amaro

Tel. (11) 5510-2700

Capacidade: 120 lugares/ Recomendação: 14 anos/ Duração: 90 minutos

Ingressos: R$ 9,00 (Credencial plena), R$ 15,00 (Aposentado, pessoas com mais de 60 anos, pessoa com deficiência, estudante e servidor da escola pública com comprovante) e R$ 30,00.

Kyra Piscitelli (kyra@aplausobrasil.com.br)

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