CRÍTICA: ANDREA BELTRÃO FAZ MONTAGEM POPULAR DE “ANTÍGONA” E CONQUISTA PELO CARISMA

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"Antígona" com Andrea Beltrão. Foto: Virginia Benevuto

Kyra Piscitelli*, do Aplauso Brasil (kyra@aplausobrasil.com.br)

CURITIBA – Duas sessões lotadas no Teatro Bom Jesus. Assim Antígona, primeiro monólogo da atriz Andrea Beltrão foi apresentado em Curitiba. O espetáculo começou com 15 minutos de atraso. Mas, o público não pareceu se importar com isso, quando Andrea apareceu na plateia para dar os avisos e desligar o celular, entre outros avisos. O clima em que a peça começa, mesmo antes do começo cênico, é uma boa síntese que permeia a montagem:  um ar leve e descontraído.

O clássico de Sófocles é recriado por ela ao lado do diretor Amir Haddad. A tragédia dá lugar a uma apresentação didática dos personagens, deuses, famílias e histórias que envolvem Antígona. No cenário papéis fazem as vias de lousa – com o nome de todos. Ao lado, um camarim deixa claro a ideia em desnudar o teatro.

No solo de Antígona, a atriz consegue provar duas coisas: tem carisma e desenvoltura cênica. O carisma vai além da persona conhecida da televisão. Ela domina o palco, a plateia, se faz presente e cria transições entre ela e a personagem que só uma boa atriz conseguiria.

Tudo fica simples como parece ser a intenção do espetáculo. A mensagem de se trazer as histórias por séculos, o poder da oralidade é o fica. Sim, questões mais filosóficas ficam de lado e o drama também. Mas, é um bom ponto de partida para um clássico, que em essência nasceu popular.

A Antígona contada por Andrea consegue prender o público e se conectar com essas famílias, suas formações, fortunas e desfortunas de forma única. É sobretudo uma atriz entregue e popular em cena e isso se traduz e cabe à montagem.

Ao acabar, ela segue com o público nessa familiaridade. Para para selfies, abraços, incrédulos. Ela segue com calma até a porta que abre ao público. O teatro como um rito familiar, com histórias milenares a serem passadas, aprendidas e contadas. Os mais apegados com as tradições podem tremer, mas não negar o carisma dessa Antígona em meio a tantas pretensiosamente iguais.

O espetáculo fez apenas uma temporada no Rio de Janeiro antes de Curitiba. Para acompanhar mais, acesse: https://www.facebook.com/antigonaapeca/

*Kyra Piscitelli viajou a convite do Festival de Curitiba

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