CRÍTICA: CENTÉSIMA PEÇA DOS SATYROS REFLETE SOBRE GÊNEROS SEM MILITÂNCIA EXACERBADA

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"Pink Star". Foto: Andre Stefano
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Kyra Piscitelli, do Aplauso Brasil (kyra@aplausobrasil.com.br)

SÃO PAULO – É bom quando um grupo consegue evocar seu espírito, recriar e chegar em um alguma mensagem com personalidade. Assim é Pink Star, a centésima peça dos Satyros, em cartaz no Espaço Satyros, até o final de 2017. A nova dramaturgia de Ivam Cabral e Rodolfo García Vázquez é a cara do grupo e, aliás, feita com recursos próprios, parte do acervo de figurino da Cia., enfim, na raça. O espetáculo é uma boa oportunidade para discutir gênero, os caminhos de um mundo que se revela intolerante e rir. Sim, Os Satyros mostram que é possível ser leve e falar sério. Assim é.

A trama, que se passa em 2501, traz a história de Purpurinex, que ganha, de seus avós, o maior diamante rosa do planeta. Com isso, desperta a inveja e a cobiça de todos e de seu irmão Jair, que sonha em ser presidente e é leitor e defensor da bíblia.

Nada é coincidência ali. Nem o “x” no nome de Purpurinex, que não tem gênero definido, e nem a referência a Jair, um famoso político de nossos tempos que tem os mesmos preceitos. O “x” está na onda dessa discussão de gênero, a ideia de não se referir a mulher ou homem, feminino ou masculino, para que cada um escolha seu caminho.

Cisgêneros, transgêneros, agêneros, poliamor e tudo que é binário é posto em xeque em cena. Purpurinex, por exemplo, vive uma relação de poliamor com a drag queen Kátia Veroska, a ex-freira Rita de Cássia e a robô erótica Gina Made in China. Os atores também trocam de gênero em cena. O melhor é que todo esse turbilhão está ali sem militância, mas discutindo famílias, modelos, tolerância e moral.

A Praça Roosevelt é o melhor cenário para isso. Ali coexiste a diversidade e Os Satyros, que a revitalizou da área, sabe disso e se dá muito bem quando assume essa vocação.

Pink Star, que é um musical queer, é uma comédia com mensagem, com leveza, mas seriedade. A busca e a aceitação de várias identidades de gêneros é assunto do momento. É a nossa provável revolução sexual atual e urgente.

Pink Star é a é a primeira das três peças que formam a Trilogia do Antipatriarcado, que traz aos palcos assuntos de família e gênero.  As outras são a remontagem de Transex, que estreou em 2004, e a produção inédita Cabaret Transperipatético, com estreia prevista para abril de 2018.

Em tempo: Satyrianas no feriado
As Satyrianas
, festival anual dos Satyros, começa amanhã, dia 2 de novembro e vai até dia 5 de novembro com mais de 400 atrações. Este ano, por causa de uma portaria da prefeitura de São Paulo, que veta a realização de eventos e a concentração e dispersão de blocos de carnaval na praça, o evento não terá as 72 horas ininterruptas e estará restrito aos teatros do entorno mas, segundo os organizadores, “continuará grande e potente”.

A programação pode ser conferida em: http://www.satyrianas.com.br/.

 Serviço:

Estação Satyros – Pça. Franklin Roosevelt, 134, Consolação, região central, tel. 3258-6345. 80 lugares. Qui. a sáb.: 21h. Até 9/12. Ingresso: R$ 40.

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