“DANÇA É LIBERDADE PARA CRIAR”, DIZ COREÓGRAFO DA MÚSICA “VOGUE”, DA MADONNA

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Kyra Piscitelli*, do Aplauso Brasil (Kyra@aplausobrasil.com.br)

CAMPINAS – Ontem, 18, a Bienal SESC de Dança teve uma das atividades mais esperadas dessa edição. O público pode receber e conversar com o o coreógrafo nova-iorquino José Gutierrez. Antes do bate-papo, o público assistiu aos documentários Paris is burning, sobre a cultura de drag queens em Nova York nos anos 1980; e Strike a pose, que mostra o que aconteceu aos bailarinos que participaram do videoclipe da música Vogue, de Madonna, e da turnê Blonde Ambition com a cantora. Jose participou dois filmes e veio ao Brasil falar do estilo Vogue.

O público segurou quatro horas de evento, entre os filmes e o bate-papo. No intervalo, antes da conversa, Jose já recebeu o público para fotos. O coreógrafo fará uma oficina do estilo Vogue, hoje, 19. Como os lugares disponíveis se esgotaram muito rápido, a organização conseguiu marcar uma atividade extra para quarta, 20, no SESC Campinas, onde Jose dará uma Master Class aberta.

A emoção do público era visível ao ver Jose ali tão perto. Quando, a curadoria da Bienal anunciou o evento, a vinda do coreógrafo ao Brasil foi vista como importante. Wagner Schwartz, um dos curadores, inclusive, fez uma fala sobre a Bienal querer chegar mais perto do público e trazer questões sociais e políticas em voga na sociedade.

Ontem, os jornais estampavam a notícia de que a Justiça Federal do Distrito Federal concedeu uma liminar que permite a psicólogos tratarem homossexuais como doentes.  Na turnê de Blonde Ambition, Madonna e os bailarinos levantavam a bandeira contrária. Pelo direito ao diferente, ao aceitar o outro.

Tanto Strike a pose como Paris is Burning tratam da dança para se descobrir quem é e se assumir. Também evidenciam o preconceito, as mortes que ele causa e traz o tema à sociedade sem vergonha ou máscaras.

Ontem, muitos presentes estavam lá para agradecer Jose por terem se assumido, se descoberto. Jose disse mais de uma vez, durante o encontro, que não sabia da dimensão do que fazia na época da turnê, quando tinha apenas dezoito anos. “Eu não sabia, eu não esperava mudar nada, mas hoje eu sei o que eu fiz, eu vejo, eu vejo vocês e me vejo, foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida, disse”.

Com 25 anos de carreira, Jose sonha que o Voguing ganhe os teatros, as academias como ele é. “Não é uma dança para seguir passos, você tem que sentir, é um processo individual de se descobrir e encontrar o seu estilo”, disse.

Para ele, o vogue se comercializar não é um problema, o problema é perder a essência e se esquecer como ele é e da onde veio. “É um estilo fácil. Você não precisa fazer dez anos de dança para dançar. Você tem que sentir e poderá fazer. É isso”, sintetizou.

O Vogue mistura estilos com “carões” ao melhor estilo capa de revista, daí o nome, que tem origem na famosa revista de moda. O Vogue se veio dos Ballrooms ou Balls e clubes gays do centro dos Estados Unidos e se popularizou com a ideia da Madonna de trazer o estilo para a música de mesmo nome.

Jose repetia a todo momento que “Everyone is unique” (que cada um é único) e que não poderia explicar o Vogue e sim sentir. Ele define dança como liberdade e diz que: “é meu melhor modo de conta uma história”, finaliza.

*Kyra Piscitelli viajou a convite da Bienal SESC de dança

Confira a programação da Bienal SESC de dança: http://bienaldedanca.sescsp.org.br/2017/. O evento acaba dia 24, domingo.

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