Ética na política, na sociedade e no amor entra em cena em O dia em que Sam Morreu

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Da redação do Festival de Teatro de Curitiba 

CURITIBA – O embate entre um cirurgião-chefe da velha guarda e um jovem instrumentador serve de pretexto para a Armazém Companhia de Teatro debater as relações de poder em “O Dia em Que Sam Morreu”, espetáculo que estreia no Festival de Curitiba com apresentações nos dias 3 de 4.

“É uma peça sobre tomada de posição, que fala sobre a necessidade de ter uma posição”, diz o diretor da companhia e coautor do texto, Paulo de Moraes.

A Armazém Companhia de Teatro, que concedeu coletiva de imprensa nesta terça (2), nasceu no Paraná, mas está radicada no Rio de Janeiro.

Com integrantes de diversas partes do País, pode ser considerada tão somente uma companhia brasileira.

O grupo comemora passagens de sucesso por festivais mundiais, inclusive pelo afamado Festival de Edimburgo, no qual é reconhecido com um dos principais prêmios do evento, o Fringe First, por “A Marca d’Água”. “O Dia em Que Sam Morreu” faz a estreia nacional no Festival de Curitiba e, a seguir, faz uma temporada de três meses no Rio de Janeiro de onde parte paraos Festivais de Avignon (França) e Edimburgo (Escócia).

“O Dia em Que Sam Morreu” chega em tempos de banalização do mal e gira em torno de questões tão delicadas quanto o que é realmente importante para nós e quais são nossas prioridades. O espetáculo dramatiza as escolhas éticas que definem o destino de seis pessoas que se cruzam nos corredores de um hospital. Num ambiente onde a higienização dos corpos parece ser regra geral, talvez uma investigação mais aprofundada mostre que (como já nos alertaram as bruxas de Shakespeare) o Belo é Podre, e o Podre sabe ser Belo.

A estrutura do trabalho é calcada em uma sucessão de reinícios, alternando as vozes dos personagens que conduzem a trama. Qual a percepção deles todos sobre o mundo e o tempo em que vivem, sobre as pessoas que conhecem, o trabalho que fazem, as dúvidas que carregam? “Nossa dramaturgia se caracteriza pela investigação do tempo dramático. Gostamos de contar histórias em que o conteúdo esteja dialeticamente ligado à forma. Essa estrutura de “eterno retorno” cumpre a função de renovar sensações sobre os atos dos personagens. A cada retorno reatualizamos os acontecimentos e aprofundamos algumas das questões”, pondera o diretor Paulo de Moraes.
Como cenário para questões tão cruciais está um hospital. O cirurgião-chefe acredita ter poder sobre a vida dos outros e não mede esforços para chegar aonde quer, até o dia em que um jovem armado invade o hospital e a potência marginal e transgressora desse ato provoca um debate ético. Moraes, que divide a criação do texto com Maurício Arruda Mendonça, explica que desde que voltou do Festival de Edimburgo, ano passado, depois de receber por “A Marca da água” um dos prêmios mais importantes, a companhia estava interessada em trabalhar a questão do poder. “O que ele significa, quem o detém, como ele é capaz de interferir na vida das pessoas. Era um tipo de reflexão que nos levava à observação do momento do Brasil, mas também abria a possibilidade de outras descobertas”, diz. Neste panorama, entram em cena questões de ética na política, na sociedade, nas relações, no amor. “Tem um pouco disso tudo”, completa o diretor, cuja companhia costuma criar espetáculos que buscam ampliar pontos de vista. “Queremos compartilhar preocupações sobre uma sociedade que achava que era paz, amor e solidariedade e, cada vez mais se mostra mesquinha, racista, homofóbica e elitista”.

Ele também dirige outro espetáculo em cartaz na Mostra 2014, “JIM”, que tem Eriberto Leão como protagonista da trama, inspirada na obra do poeta e compositor Jim Morrison, vocalista da banda The Doors e um ícone do rock mundial.

 

Armazém Cia de Teatro (Rio de Janeiro/RJ). Dias 3 e 4 de abril. Guairinha.

 

Ficha técnica:

Direção: Paulo de Moraes

Autoria: Maurício Arruda Mendonça e Paulo de Moraes

Elenco: Jopa Moraes, Lisa E. Fávero, Marcos Martins, Otto Jr., Patrícia Selonk, Ricardo Martins.

Iluminação: Maneco Quinderé

Cenografia: Paulo de Moraes e Carla Berri

Figurinos: Rita Murtinho

Direção Musical: Ricco Viana

Videografismo: Rico e Renato Vilarouca

Assistente de Direção: José Luiz Jr.

Produção Executiva: Flávia Menezes

Produção: Armazém Companhia de Teatro

Patrocínio: PETROBRAS

 

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