GRÁTIS: REESTREIA “PSICOTRÓPICO” NA OFICINA CULTURAL OSWALD DE ANDRADE

1
326

SÃO PAULO – Com concepção do Núcleo Artístico Società Anônima e dramaturgia, direção e atuação de Alvise Camozzi, Psicotrópico reestreia na Oficina Cultura Oswald de Andrade. O espetáculo é resultado de reflexões sobre a mobilidade contemporânea, a arte da atuação, as migrações e a memória. Por meio de diferentes narrativas e recursos cênicos, a performance recria a história de uma impossível volta para casa.

Substâncias psicotrópicas são aquelas que agem no sistema nervoso central e modificam a percepção do mundo, com efeitos alucinógenos ou estimulantes. O título do espetáculo remete aos deslocamentos espaço-temporais criados pelas narrativas ficcionais e autobiográficas que conduzem a performance, entre o onírico e o hiper-realismo. O entrelace das diferentes narrativas se desenvolve de maneira a induzir, no espectador, uma espécie de desnorteamento, para deixá-lo livre para compor suas próprias ressignificações.

Os fragmentos ficcionais são atravessados por uma linha dramatúrgica alusiva ao clássico tema do “retorno ao lar” (o ‘nostos’ dos gregos), que por sua vez remete a experiências biográficas do próprio ator, nascido em Veneza: à volta ao lar original, e o retorno para a casa atual, nos Trópicos.
Psico, como alma e respiro palavra antiga que dificilmente pode encontrar sua definitiva tradução moderna; e Trópico, etimologicamente relativo a uma volta”, aqui pensado não somente como área geográfica e climática, mas também como lugar político, social e cultural.

A tentativa de anulação da espera se torna, dentro do espetáculo, o motivo recorrente que quebra e interrompe a narrativa abrindo ao publico possibilidades de ressignificações, solicitando no espectador reflexões sobre a perda, a memória e as diversas condições do “estar no tempo presente”.

Na sociedade contemporânea, a espera pertence à representação quantitativa do tempo, à sua valoração de eficiência, à orientação baseada na programação do tempo futuro. O sujeito que aguarda/espera é deslocado de seu tempo; o lugar que habita é um ‘não-lugar’. Esperar é um problema da modernidade, do movimento perpétuo e rápido, das mercadorias e das pessoas, mas também das ideias, das palavras e das memórias.

O migrante é a figura social que habita esse ‘não-lugar’ contemporâneo. O ‘Ser migrante’ pode ser interpretado como condição universal do habitante do tempo presente. Respeitando as diversas e específicas experiências e realidades, todos somos desenraizados, e não somente porque viemos, muitos de nós, de outras cidades, estados, continentes, mas, principalmente, devido às grandes transformações às quais fomos condicionados, com uma velocidade tal que perdemos o senso de estar no tempo.

Ficha Técnica

Concepção: Núcleo Artístico Società Anônima
Dramaturgia, direção e atuação: Alvise Camozzi
Colaboração: Daniela de Vecchi
Cenografia: William Zarella Jr.
Desenho de luz: Guilherme Bonfanti
Assistente de luz: Aldrey Hibbeln /
Concepção de vídeos e mapping: Grissel Piguellem
Sonoplastia: Gustavo Arantes a.k.a Dj Goonie
Direção de produção: Rachel Brumana
Produção: Substância Produções Artísticas
Fotos: Matheus José Maria (espetáculo) e Zarella Neto (divulgação)

Serviço

Psicotrópico
Reestreia dia 12 de maio de 2017
Até 27/05 com temporada as quintas e sextas, às 20h e sábados, às 18h.
Oficina Cultural Oswald de Andrade
Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro, São Paulo – SP,
Telefone: (11) 3222-2662
Capacidade: 40 lugares.
Duração: 60 min.
Classificação: 14 anos/ Grátis

Redação Aplauso Brasil (redacao@aplausobrasil.com.br)

1 COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor, deixe seu comentário
Por favor, preencha seu nome

*