MUSICAL APRESENTA RIQUEZA DA CULTURA DO POVO BRASILEIRO

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SÃO PAULO – Estamos vivendo um boom de musicais; muitos trazem elementos da cultura estrangeira e outros falam da cultura brasileira. São produções que contemplam todos os gostos e têm uma característica em comum: estão conseguindo levar público para os teatros.

Entre as montagens que estrearam recentemente, Rio Mais Brasil – o nosso musical, entrou em cartaz com a promessa de falar da realidade brasileira com toda a sua pluralidade, complexidade e sincretismo.

O ponto de partida para a criação do roteiro textual e musical foi o livro O Povo Brasileiro, do professor e antropólogo Darcy Ribeiro.

No palco estão Cris Vianna, Leonardo Vieira, Danilo de Moura, Danilo Mesquita e mais 16 atores multi-instrumentistas.  Idealizado por Gustavo Nunes, o espetáculo conta com a direção de Ulysses Cruz, autoria de Renata Mizrahi, direção musical de Carlos Bauzys e Daniel Rocha.

Depois de passar por sete cidades brasileiras, entre elas, Campinas, Fortaleza, Brasília e Curitiba, o musical chega ao Teatro Frei Caneca de São Paulo para uma curta temporada. A estreia é dia 3 de novembro, sexta-feira, às 21 horas.

A pretensão é que a capital paulista seja a última cidade deste ano, mas em 2018 eles esperam conseguir viajar por mais localidades.

Na trama, o público acompanha o esforço do produtor Martin (Leonardo Vieira) e de uma diretora de cinema (Cris Vianna) para realizar um filme documental, utilizando a obra de Darcy Ribeiro.

Kadu (Danilo Mesquita) vive um assistente de Martin que se apaixona pelo Brasil quando viaja pelo país para acompanhar o teste do elenco. São Paulo é representada por Ricardo (Danilo de Moura), que vai ao Rio para tentar o sucesso profissional e acaba se tornando um dos roteiristas do filme.

Eles atraem a atenção de muitos atores para o teste, mas o cancelamento da verba de produção pode fazer com que o projeto não se concretize.

Ficção e realidade se misturaram nesse texto, visto que a ideia para o musical surgiu em 2014, já com o Ulysses Cruz como diretor e a atriz Cris Vianna convidada para o elenco. A sua execução, no entanto, teve que ser adiada por falta de patrocínio.

Um fato interessante referente ao processo de criação é que o público pode enviar histórias verídicas e letras inéditas de músicas para a elaboração do roteiro final e foram selecionadas uma história e uma canção inédita.

Na parte musical, destaque para canções com letras assinadas por Renata Mizrahi, além de inúmeras releituras de músicas consagradas com arranjos diferenciados e que representam as cinco regiões brasileiras.

Ao todo, mais de 30 músicas, entre consagradas e originais, passando por artistas de renome como Milton Nascimento, Chico Buarque, Caetano Veloso, Luiz Gonzaga, Rita Lee, Gonzaguinha, Almir Sater, Gilberto Gil, Ary Barroso, Cazuza, Tom Zé, Aldir Blanc, Arlindo Cruz, Kleiton e Kledir e A Banda mais bonita da Cidade.

Os atores interpretam o repertório ao vivo e executam instrumentos tradicionais e outros menos conhecidos, como o berimbau de boca, o ganzá, o timbal. Merecem destaque o uso da percussão corporal e a mistura de ritmos, como por exemplo, rock com maracatu, forró com hardcore e samba com soul music.

Segundo o produtor e idealizador Gustavo Nunes, a primeira ideia foi falar do Rio e depois ficou decidido que falar do Brasil como um todo era essencial. Para ele, a nossa riqueza é tamanha que precisa ser mostrada e devemos pensar o nosso país de maneira positiva, apesar de nossas mazelas.

“O musical fala do Brasil, mostra os talentos e a garra do povo”, diz. “ Os atores são de todas as partes do Brasil, representando a diversidade do país”, complementa.

Nunes também sinaliza que a ideia de utilizar o livro O Povo Brasileiro, de Darcy Ribeiro, como inspiração para a criação da montagem foi do diretor Ulysses Cruz, para se entender melhor a nossa cultura. “ Exploramos muitoo que vem de fora e devemos valorizar o que é nosso, os nossos ritmos e as nossas canções¨.

Ulysses Cruz conta que quando foi convidado para integrar o projeto resolveu adotar o mesmo procedimento que usou em outro musical, que dirigiu na extinta casa de Show Terra da Garoa, no centro de São Paulo. No espaço, criou Sampa, o musical, e toda a concepção textual e cênica foi conduzida a partir das obras de Mario de Andrade e Oswald de Andrade.  O objetivo era mostrar, sobretudo aos turistas, as riquezas de São Paulo, em especial na área das artes.

“Darcy era grande influenciador da cultura brasileira. Ele sempre foi a minha fonte de inspiração para o Programa Criança Esperança que dirijo para a Rede Globo¨, afirma Cruz, assinalando que tudo o que está acontecendo agora no nosso país, Darcy Ribeiro já havia previsto no seu livro O Povo Brasileiro.

O diretor acredita que esse musical é necessário nos dias de hoje e disse que assumiu, com toda a equipe, a função de proporcionar ao público algo mais do que o brilho de um musical tradicional. “Queríamos fazer algo que falasse do Brasil de uma maneira que gerasse reflexões. O Darcy nos ajudou muito e o que está em cena é o povo brasileiro e a nossa cultura¨, diz.

Salienta que buscou não trabalhou com nenhum clichê e destaca que o elenco, por contar com artistas de diversas regiões brasileiras, traz consigo diferenças que mostram a nossa diversidade étnica e artística.  Elogia o talento dos atores, evidenciando a habilidade dos mesmos em interpretar e ao mesmo tempo tocar vários instrumentos.

Segundo Cruz, a riqueza da música brasileira é indescritível e, por esse motivo, escolher o vasto repertório não foi uma tarefa fácil, já que o objetivo era escolher composições de todas as regiões: ¨A música brasileira está bem representada através de vários gêneros musicais e arranjos contemporâneos adaptados à dramaturgia”.

E, para finalizar a sua fala sobre o trabalho realizado, faz questão de frisar que a direção musical teve papel precioso para a garantia da qualidade do seu trabalho. Agradeceu publicamente o precioso trabalho de Carlos Bauzys, responsável pelo sucesso de muitos musicais e que conheceu através da atriz Kiara Sasso. “Devo muito ao Bauzys e também ao Daniel Rocha”, declara.

 

Ficha Técnica:

Idealização e Produção Geral: Gustavo Nunes – Turbilhão de Ideias Entretenimento. Direção Artística: Ulysses Cruz. Elenco: Cris Vianna, Leonardo Vieira, Danilo de Moura, Danilo Mesquita, Bárbara Sut, Camila Matoso, Leandro Melo, Clayson Charles, Nando Motta, Paulo Ney, André Muato, Késia Estácio, Marcel Octávio, Edmundo Vitor, Teka Balluthy, Luciana Balby, Anna Bello, Janaína Moreno, Fernando Thomaz e Priscilla Azevedo.

Texto e letras das canções originais: Renata Mizrahi. Direção Musical: Carlos Bauzys e Daniel Rocha. Direção de arte e cenografia: Veronica Valle. Coreografia: Patrick Owondo. Figurino: Carol Lobato. Iluminador: Renato Machado. Visagismo: Uirandê Holanda. Cenógrafo: Mateus Viana. Efeitos Especiais: André Fuentes. Locuções: Cássia Kis em trechos O Povo Brasileiro, de Darcy Ribeiro. Participação Especial: Edney Silvestre, Marília Gabriela, Sérgio Mastropasqua. Locução: Headlines.

 

Serviço:

Rio Mais Brasil, o nosso musical

Estreia dia 3 de novembro, sexta-feira, às 21 horas, no Teatro Frei Caneca. Shopping Frei Caneca. Temporada – de 3/11 a 26/11, sexta e sábado às 21 horas, domingo às 19 horas. Espetáculos dias 3, 4 e 5 de novembro; 10, 11 e 12 de novembro; 17, 18 e 19 de novembro; 24, 25 e 26 de novembro. Ingressos – R$ 100,00 e R$ 50,00 (meia). Vendas de ingresso: https://www.ingressorapido.com.br. Classificação etária: 12 anos. Duração: 105 minutos

Nanda Rovere, do Aplauso Brasil (nanda@aplausobrasil.com.br)

 

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