RESENHA: PEÇA DE FRANZ KEPPLER REÚNE PEQUENAS HISTÓRIAS SOBRE A CONVIVÊNCIA NUMA METRÓPOLE HOJE

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SÃO PAULO – Frases. Esta é a  tradução literal para Frames, peça de Franz Keppler. No entanto, o espetáculo, em nova versão assinada pelos diretores Camila Gama e Sandro Pamponet, é constituído de quatro pequenas histórias, quatro cenas do cotidiano de uma metrópole contemporânea. Daniel Rocha e Hugo Bonemer vivem personagens com posturas e pensamentos bem diferentes diante da vida, mas as situações que experimentam podem suscitar o entendimento entre eles.

“É um espetáculo que aborda questões como a construção do afeto e de sua liquidez contemporânea, por vezes se desdobrando em intolerância. Queremos, na montagem, criar espaço para reflexões sobre ‘um possível adoecer social’ que promove uma solidão apática, e que, dadas as possibilidades tecnológicas, está ironicamente acompanhada por uma sensação de ‘estar conectado ao todo’”, esclarecem Camila Gama e Sandro Pamponet.

Numa montagem ágil e dinâmica, os esquestes vão sendo apresentados e o espectador precisa ficar atento para unir as histórias e os personagens. Mas o estranhamento dura pouco, logo há identificação com as situações vividas pelos oito personagens das quatro histórias.

A primeira trama (Fogos no céu de meio dia) revela a impossibilidade de duas pessoas poderem sair de casa em razão de um tiroteiro. Ambas tinham uma entrevista marcada que poderia modificar o destino delas: uma entrevista era para um novo emprego e a outra seria uma participação num programa de TV, em que a pessoa daria um depoimento sobre sua experiência de vida.

A outra história (Lâmpadas e ovos quebram) mostra uma cena típica de um grande centro urbano: duas pessoas, cada uma em seu próprio carro, estão presas num grande congestionamento. Além de precisarem chegar a seus compromissos, elas reagem de maneiras opostas naquela situação de tensão.

A outra cena é sobre dois amigos que numa sala de espera de um hospital refletem sobre suas existências. Em que plano (físico ou espiritual) acontece aquela conversa, aquele encontro? Emocionante!

Já a última situação (Era pra ser só uma festa) o autor propõe uma reflexão sobre a homofobia, a intolerância, que infelizmente ainda perduram no nosso cotidiano.

Com uma proposta dramatúrgica reflexiva e envolvente, a montagem dos diretores imprime uma agilidade incrível; as histórias são apresentadas de forma não linear, o que faz com que o espectador ligue os enredos apresentados. Tudo isso graças ao entrosamento e à sintonia em cena de Hugo Bonemer (que também assina a produção ao lado do autor) e Daniel Rocha: com um figurino neutro (camisetas e calças brancas), os atores têm a chance de mostrar versatilidade, já que dão vida tanto a homens como a mulheres. Outro destaque fica para a iluminação de Renato Machado: nas cenas da boate e do hospital a luz contribui muito para o clima dramático exigido.
Espetáculo sensível e comovente, que está em fim de temporada. Não perca!

Roteiro:
Frames. Texto: Franz Keppler. Direção: Camila Gama e Sandro Pamponet. Elenco: Daniel Rocha e Hugo Bonemer. Cenografia: Sandro Pamponet  e Hugo Bonemer. Iluminação: Renato Machado. Figurino: Rafael Menezes. Trilha sonora original: Márcio Tinoco. Fotografia: Beto Gatti e Leandro Marques. Produção: Franz Keppler e Hugo Bonemer. Realização: Bonemer Prod. Artísticasa

 
Serviço:
Teatro Morumbi Shopping (250 lugares), Av. Roque Petroni Jr, 1089, tel. 11 5183-2800. Horários: sexta e sábado às 21h e domingo às 19h. Ingressos: R$ 60. Bilheteria: de terça a sexta das 14h às 21h, sábado das 13h às 21h e domingo, das 13h às 20h Duração: 60 min. Classificação: 14 anos. Temporada: até 24 de setembro.

Maurício Mellone publicou o texto no www.favodomellone.com.br – parceiro do Aplauso Brasil

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