SOBREVIVENTES DE HIROSHIMA ENCENAM A PRÓPRIA HISTÓRIA EM CURITIBA E EMOCIONAM PLATEIA

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"Os Sobreviventes de Hiroshima" traz vítimas de bomba atômica. Foto: Virginia Benevenuto

Kyra Piscitelli*, do Aplauso Brasil (kyra@aplausobrasil.com.br)–

CURITIBA – O Auditório Brasílio Itiberê (SEEC), no centro da capital do Paraná, é um espaço voltado para conferências e palestras. Mas, no Festival de Curitiba tudo vira palco de teatro. Nesse caso, um palco para grandes emoções. O espaço abrigou o teatro-documentário Os Três Sobreviventes de Hiroshima.

O teatro lotou. Era gratuito e depois de senhas distribuídas, houve quem voltou para casa. Entre o público, encontravam-se crianças, famílias, adolescentes e japoneses e descendentes. 120 lugares preenchidos.

Entre o público, o senhorzinho Nissei (descendente de japonês) me contou que foi parar lá por ter recebido um folheto. “Eles falam ao vivo o que viveram. A nova geração não sabe o que foi isso, não se fala de Hiroshima. Quando o Obama (ex-presidente dos EUA) foi à cidade que se voltou a falar disso. Eu também não sei. Mas, falavam. Com a bomba as pessoas ficaram doentes, a pele saia todinha na mão e as enfermeiras choravam por não ter como cuidar de tanta gente”, disse ele.

Entre os relatos, vídeos são passados para reforçar a história contada no palco. A plateia em silêncio acompanha tudo. Os Tsurus (pássaros de origami símbolos da saúde, vida e longevidade) é usado para falar de morte e passar a mensagem de paz.

A bomba que matou mais de 140 mil pessoas pode ser jogada de novo, acabar com o mundo e o ser humano. “É preciso lembrar pela paz”. As palavras de Takashi Morita, um dos sobreviventes com 93 anos resume a missão que o espetáculo – documentário carrega.

Plateia lota espaço de 120 lugares para assistir “Os Três Sobreviventes de Hiroshima”. Foto: Virginia Benevenuto

Em Curitiba, eles fizeram a primeira apresentação fora do estado de São Paulo. Rogério Nagai, diretor e ator, é quem teve a ideia de levar esses anônimos para o palco e a ideia é não parar. Nagai anunciou em Curitiba que já estuda fazer um espetáculo com sobreviventes do Holocausto, que matou cerca de seis milhões de judeus na Segunda Guerra Mundial (1939 – 1945). A mesma guerra que culminou com a bomba de Hiroshima.

Em Os Três Sobreviventes de Hiroshima, a plateia alcança a história de forma viva, sem precisar ir ao Japão. Um filão de teatro como documento que traz a importância da história oral e, fatalmente, emocionou a plateia.

Conheça os sobreviventes de Hiroshima que fazem a peça:

Takashi Morita, 93 anos
Em maio de 1945, sobreviveu a um bombardeiro incendiário em Tóquio, e por isso voltou a Hiroshima para ficar com a família. Tinha 21 anos na época. Na hora do ataque, estava marchando com um pelotão a 1.200 metros do epicentro da explosão. Viu um clarão, foi golpeado pelas costas e arremessado no chão. Sofria com a radiação e desenvolveu leucemia.

Junko Watanabe, 73 anos
Tinha dois anos quando uma chuva radioativa a atingiu enquanto brincava com seu irmão a 18 km da explosão. Ela não se lembra do que aconteceu, e sua família escondeu o fato —só descobriu que era uma sobrevivente de Hiroshima aos 38 anos. Aos 24, veio para o Brasil após se casar com um japonês que vivia aqui. Faz palestras desde 2005 contando sua história.

Kunihiko Bonkohara, 76 anos
Se mudou para a cidade japonesa quatro meses antes do ataque. Tinha cinco anos, e estava com o pai em seu escritório no momento do bombardeio, a 2 km do epicentro. Os dois ficaram feridos com estilhaços de vidro. Ao voltarem para casa, foram atingidos pela chuva radioativa. Sua mãe e sua irmã mais velha, que estavam no centro da cidade, morreram.

 

Acompanhe o espetáculo em: https://www.facebook.com/nagaiproducoes/

*Kyra Piscitelli viajou a convite do Festival de Curitiba

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